Num país distante daqui, um sujeito estava vendo tevê. Passou um comercial de cerveja. O sujeito sorriu. Na verdade, gargalhou. Ele gostava de comerciais como aquele, com bom humor. Aí ele olhou para o lado e viu que seu filho tinha gostado também: “Legal esse né, pai?”. Concordou. E passou a odiar aquele comercial.
Como é que podia um comercial engraçado, agradar também ao seu filho, um imberbe menor de idade? Se eu, que sou inteligente para discernir entre o certo e o errado, quase gostei desse comercial como não estará a legião de pobres incautos consumidores?
Decidiu escrever uma carta para o Congresso. Algum deputado leu e concordou: inteligente, já havia pensado nisso. Fez um projeto de lei que foi votado e… pronto, salvou a sociedade: nunca mais haveriam comerciais de cerveja a infestar as ingênuas e influenciáveis cabecinhas.
Tempos depois, outro consumidor atento reparou nos comerciais de cosméticos. Ora, raciocinou, a busca pela juventude eterna, a celebração da estética em detrimento do conteúdo verdadeiro de nossas almas. Isso corrobora o abismo entre os despossuídos, que estarão irremediavelmente associados ao conceito do “feio” enquanto aos mais ricos e abastados caberá sempre a imagem de jovialidade, beleza e saúde. Solução: fim da propaganda de cosméticos em geral.
Todos aplaudiram no congresso daquele país. Mas, eis que outro senador, igualmente inteligente (mais que a média da população daquele país, com tão poucos consumidores inteligentes) levantou outra questão. Se automóveis atropelam e matam, então melhor seria que não fossem anunciados para não despertarem nas próximas gerações a vontade de dirigi-los.
Foi por aclamação. aprovado. Assim como a emenda contra propagandas de hambúrgueres, e, já que esse era o assunto, de alimentos e restaurantes em geral, que era mesmo um despautério num país com tanta fome se admitir propaganda mostrando pessoas felizes comendo.
Aliás porque era mesmo que as pessoas tinham que estar alegres na publicidade? Para despertar rancor nos entristecidos? E ficou proibido o sorriso na propaganda daquele país. No máximo seria permitida uma leve insinuação, de canto de boca. E depois da meia-noite, já que os tristes dormem cedo. Alguém lembrou dos insones solitários. E cortaram do texto aquela liberalidade.
Propaganda de moda? Segregacionista. De sabão em pó? Racista, sempre que valoriza o branco. De banco? Pelo amor de Deus, será que ninguém ainda parou para ver o que está embutido nas mensagens dos comerciais de banco, gente? A sensação de que só com o dinheiro se pode ser feliz, lógico! Cartão de crédito? Este mês até sem dinheiro você pode ser feliz, caramba.
Nos jornais, a imprensa apoiava cada uma das medidas. Alguns jornalistas adoravam a idéia de que seus salários são integralmente pagos pelo leitor que compra jornal na banca: publicidade só enfeia o conteúdo editorial.
A sociedade acuada pela sórdida propaganda apoiava as medidas. E reclamava de toda a publicidade que brincasse com qualquer uma das suas convicções pessoais. Gordo, não pode, magro também, . Padre, freira, careca, viúva, estudante, feio, bonito, mais ou menos feio, surfista , narigudo…nem pensar. Satirizou homem, é feminista. Mulher, lógico, é machista. A sociedade estava de mau-humor.
Até que um dia, alguém na casa do vizinho sorriu. Na verdade, gargalhou. E o sujeito que ouviu aquilo, não se sabe por que, teve a intuição de que aquilo tinha alguma coisa a ver com a *&*%#!+*# (a palavra “propaganda” tinha sido proibida). Será que haviam inventado o câmbio negro de *&*%#!+*# e o meu vizinho conseguira com traficantes uma fita de vídeo cheinha de *&*%#!+*#s engraçadas?, pensou o formador de opinião. Pelo sim pelo não, ele chamou a polícia.
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terça-feira, 16 de novembro de 2010
Empresas exploram publicidade em espaços públicos VG em troca de favores
No segundo ano de seu primeiro mandato, o prefeito de Várzea Grande, Murilo Domingos (PR), sancionou a Lei Complementar n°. 2880/2006, que estabelece parceria entre o poder público municipal e empresas de publicidade externa – aquelas que vendem anúncios em outdoors, front lights, backlights e outras mídias do gênero. No entanto, o acordo é uma verdadeira “caixa preta” – ninguém sabe como é que essas companhias fazem os repasses e qual a base de cálculo para se chegar ao valor que elas teriam que recolher ao erário público por conta da tal parceria.
O VG Notícias teve acesso com exclusividade a documentos comprometedores que revelam como funciona o esquema na prefeitura. Os recursos, que deveriam ser investidos no município em benefício da população, conforme previa a parceria, estão sendo destinados para atender interesses particulares de Murilo e seus aliados – como, por exemplo, para financiar campanha político-eleitoral.
Segundo consta no relatório da empresa Cidade Verde Painéis Publicitários Ltda (Atalaia), uma das parceiras da prefeitura, em 2006 ela confeccionou 100 mil panfletos em fotolito, no valor R$ 4,3 mil; 300 mil santinhos em policromia; 400 mil santinhos de propaganda eleitoral; 100 mil panfletos para Benedito Pinto, ex-secretário de Serviços Públicos de Várzea Grande, que era candidato a deputado estadual à época; entre outros materiais – totalizando R$ 32.845,00.
Já nas eleições de 2008, a mesma empresa realizou para a prefeitura “patrocínios diversos”, entre eles santinhos e marcadores de página para o então candidato a vereador Marcelo Costa (hoje diretor do Centro de Especialidades Médicas do município). Outros candidatos a vereador também foram agraciados, identificados no relatório como Vanda, Escalope e Willian Santos.
A “Cidade Verde” também confeccionou, com dinheiro público, folhetos com plano de governo de um candidato identificado como Wanderlei, além de informativos do candidato Misael Galvão. Praguinhas para convenção partidária, banners, faixas e painéis diversos – no valor de R$ 8.250,00 – e produção de outdoor para agradecimento pela reeleição de Murilo Domingos também fazem parte dos serviços, que naquele ano totalizaram R$ 28,2 mil.
Já com a empresa Cuiabá Outdoor, o desvio do dinheiro da parceria ocorreu na forma de aquisição de materiais de construção – não para obras que a prefeitura viesse a realizar, mas, conforme atesta nota fiscal, a servidores do município, provavelmente direcionados a terceiros. Entre os materiais entregues estão companhia estão carreta de pedra brita, areia lavada e sacos de cimentos, adquiridos na Todimo Materias de Construção Ltda. A Cuiabá Outdoor também patrocinou, com dinheiro que deveria ser repassado à prefeitura de Várzea Grande, santinhos para o candidato de Cuiabá Zito Adrien, que disputava uma vaga na Câmara Municipal em 2008.
Estranhamente, consta que algumas entregas desses materiais de construção teriam sido feitas para o endereço da empresa Saldanha Pré-Moldados, situada na Avenida Fernando Correa da Costa, 6622, em Cuiabá. Entretanto, o empresário Leonardo Dória Saldanha, quando procurado pela reportagem, negou que tenha recebido qualquer tipo de material da prefeitura – e assegurou que construiu três pontes para o município, mas teria recebido em cheque da prefeitura e não em produtos.
Por conta dessas ligações suspeitas, a promotora de Justiça Maria Fernanda Correa da Costa, que atua na Promotoria do Meio Ambiente de Várzea Grande – órgão do Ministério Público de Mato Grosso (MPE), já solicitou a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Sinfra) que apresente documentação que comprove o pagamento das taxas tributárias pelas empresas que exploram os espaços públicos.
Segunda a promotora, o mesmo procedimento será feito as empresas para confrontar os dados. Constatado o desvio de recursos por meio desta parceria – os promotores Maria Fernanda e Tiago Souza, podem ingressar com ação por improbidade administrativa contra o prefeito Murilo Domingos.
Prefeitura e empresas confirmam troca de favores, mas escondem detalhes: O coordenador dos Setores de Fiscalização de Posturas e Parcerias, da prefeitura de Várzea Grande, Humberto de Macedo Zorzetti, em entrevista ao VG Notícias, disse que os materiais de construção fornecidos pelas empresas de publicidade “parceiras” da prefeitura foram para reformas de pontes e cemitério, sendo o restante enviado para a Secretaria Municipal de Viação, Obras e Urbanismo.
Zorzetti não soube quantificar, porém, que tipo de materiais e nem as empresas que os cederam. Ele também disse que a partir de agora não haverá mais parceria – e as companhias terão que recolher as taxas devidas por meio da Secretaria Municipal de Fazenda. O coordenador alegou também que não foram contabilizados os dados da parceria referentes a 2009 e 2010.
Embora tenha afirmado que as parcerias acabaram, Zorzetti assinou em 02 de janeiro de 2010, novo Termo de Parceria com a empresa Penalux Indústria e Comércio de Luminosos Ltda. A Cláusula Segunda estabelece como objeto do contrato a “doação” ao município de Várzea Grande de R$ 40 mil referentes a outorga e taxa de publicidade de espaço público. Além disso, em 17 de junho de 2010, o coordenador também liberou alvará para a empresa Teodoro & Caldeiras Painéis, até 2012, que em troca fez pagamento para a prefeitura em forma de materiais.
A reportagem também entrou em contato com o empresário Antônio Carlos Lopes Zitelli, da Cuiabá Outdoor, mas ele disse por meio da secretária que não daria entrevista.
Já Rodrigo de Almeida Martha, da Penalux, que atualmente mantém contrato de parceria com a prefeitura, confirmou que fez placas de sinalização para diversas secretarias da prefeitura, entre elas a Secretaria de Obras. Ele se recusou, entretanto, a apresentar comprovantes do serviço – alegando que se trata de assunto comercial, que só diz respeito à prefeitura e sua empresa. O empresário também não mencionou a quantidade de serviço prestado ao município e tampouco o valor pago pelos espaços públicos
Fiat Linea: no lugar do motor, músicas
VOX NEWS - 16/11/2010
A Fiat lança a campanha da nova fase do Linea, agora com o motor E-torQ 1.8 16V, mais silencioso e potente. O carro marca o retorno da Fiat ao segmento de sedans médios no país.
Criada pela agência Leo Burnett, a campanha é composta pelo filme “Fantasia”, que enaltece o novo motor e o seu principal diferencial: ser silencioso e ao mesmo tempo potente. No lugar do ronco do motor comum ao ligar o carro, o roteiro traz um seleção de músicas.
A Fiat lança a campanha da nova fase do Linea, agora com o motor E-torQ 1.8 16V, mais silencioso e potente. O carro marca o retorno da Fiat ao segmento de sedans médios no país.
Criada pela agência Leo Burnett, a campanha é composta pelo filme “Fantasia”, que enaltece o novo motor e o seu principal diferencial: ser silencioso e ao mesmo tempo potente. No lugar do ronco do motor comum ao ligar o carro, o roteiro traz um seleção de músicas.
Faturamento do Facebook com publicidade vai superar US$ 1 bilhão
O faturamento com publicidade do site de relacionamentos Facebook quase duplicará este ano para chegar a US$ 1 bilhão no mundo, estima um estudo divulgado nesta quinta-feira pela empresa eMarketer.
"Os gastos publicitários aumentam rapidamente, e os publicitários não podem ignorar o público massivo", considerou Debra Aho Williamson, analista da empresa citada no estudo.
Segundo a eMarket, o faturamento com publicidade do Facebook chegará a US$ 1,285 bilhão em 2010, sendo US$ 835 milhões nos Estados Unidos, contra US$ 665 no ano passado. A eMarketer prevê que chegará a US$ 1,76 bilhão em 2011.
O site de relacionamentos obtém "pelo menos a metade" de seu faturamento da ferramenta que colocou à disposição dos publicitários para que eles mesmos criem e comprem os anúncios que pretendem publicar na coluna direita dos perfis dos usuários, estimou a empresa.
Fonte: Folha.com
"Os gastos publicitários aumentam rapidamente, e os publicitários não podem ignorar o público massivo", considerou Debra Aho Williamson, analista da empresa citada no estudo.
Segundo a eMarket, o faturamento com publicidade do Facebook chegará a US$ 1,285 bilhão em 2010, sendo US$ 835 milhões nos Estados Unidos, contra US$ 665 no ano passado. A eMarketer prevê que chegará a US$ 1,76 bilhão em 2011.
O site de relacionamentos obtém "pelo menos a metade" de seu faturamento da ferramenta que colocou à disposição dos publicitários para que eles mesmos criem e comprem os anúncios que pretendem publicar na coluna direita dos perfis dos usuários, estimou a empresa.
Fonte: Folha.com
Filmes e publicidade elevam lucro da Time Warner no trimestre

Lucro líquido subiu 7,3%, para US$ 562 milhões.
Companhia atribui resultado à expansão internacional e a novas séries.
Um aumento na venda de publicidade e o lançamento de filmes de sucesso impulsionaram o lucro da Time Warner no trimestre. Os números ficaram acima das estimativas de Wall Street e levaram a empresa a aumentar sua previsão de resultados para o ano todo.
O lucro líquido do conglomerado subiu 7,3%, para US$ 562 milhões (US$ 0,49 por ação). Excluindo itens extraordinários, o ganho foi de US$ 0,50 por ação, acima das expectativas dos analistas, que esperavam cerca de US$ 0,46.
As receitas somaram US$ 6,4 bilhões, um crescimento de 8% - maior taxa desde o segundo trimestre de 2008. O faturamento geral com publicidade subiu 11%, sendo 14% na TV e 4% em revistas.
Filmes como "Fúria de Titãs" e "Sex and the City 2" foram sucesso de bilheteria e ajudaram a elevar o faturamento da divisão de entretenimento em 8%, para US$ 2,5 bilhões. Na unidade de canais de TV, dos quais fazem parte HBO, CNN e TNT, a receita subiu 11%, para US$ 3,2 bilhões, com aumentos de 9% em assinaturas, 14% em publicidade e 10% em licenciamento de conteúdo.
Razões do aumento
A Time Warner atribui essa melhora ao aumento de tarifas de assinatura nos EUA, à expansão internacional e a novas séries, como The Pacific e True Blood. Na divisão editorial, a receita ficou estável em US$ 919 milhões. O crescimento de 4% na publicidade foi anulado pela queda de 23% em outras fontes, como assinaturas de revistas. A Time Warner publica as revistas Time e People, entre outras.
Agora o conglomerado espera encerrar o ano com aumento de pelo menos 20% no lucro ajustado de operações continuadas - que foi de US$ 1,83 por ação no ano passado. A previsão anterior era de alta de 15% a17%.
Gastos da Presidência com publicidade somam R$ 200 milhões
Em comparação com 2009, aumento do gasto será de 16%. Valor representa um terço do orçamento publicitário dos órgãos federais.
Os gastos da Presidência da República com publicidade vão ter um incremento de 16% neste ano. De acordo com a lei orçamentário aprovada pelo Congresso Nacional, as despesas com o setor vão passar de R$ 171 milhões para R$ 199,2 milhões.
O montante corresponde a quase um terço do orçamento publicitário de todos os órgãos públicos federais (R$ 700,4 milhões). No entanto, a previsão de aumento dos gastos esbarra na lei eleitoral, que determina que, em ano de eleições, as despesas com publicidade não podem ultrapassar a média dos três anos anteriores ou o valor utilizado no ano imediatamente anterior.
Segundo a ONG Contas Abertas, responsável pelo levantamento junto da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), a previsão de gastos não inclui a publicidade das estatais e sociedades de economia mista, como a Petrobras e o Banco do Brasil (BB).
A diferença entre 2009 e 2010 está nos desembolsos com a publicidade institucional, que se limita a divulgar informações sobre obras, atos, programas, metas e resultados da União. O valor previsto no ano passado era de R$ 139 milhões, enquanto neste ano está em R$ 167 milhões.
Já a publicidade de utilidade pública, que dá legitimidade aos comunicados oficiais do governo, terá, em 2010, R$ 32,2 milhões. Neste caso, não há elevação significativa, já que o volume orçado no ano de 2009 foi de R$ 32 milhões. Isto é, uma diferença de apenas R$ 200 mil entre um ano e outro.
Visando respeitar os limites impostos pela justiça eleitoral, a Secom informou que o governo não irá utilizar todos os recursos previstos no orçamento. Em 2009, contudo, o governo ultrapassou a meta inicial e gastou R$ 158,1 milhões com publicidade institucional, 14% a mais do que previa a lei orçamentária.
A expansão, segundo a secretaria, se deve à realização de pesquisas de opinião e também aos investimentos feitos em ações no exterior. Economista da Contas Abertas, Gil Castelo Branco lembra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o trecho da proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que previa que a despesa empenhada em publicidade não poderia exceder os valores de 2009.
"Para justificar o veto, Lula alegou que campanhas de utilidade pública em setores como educação, trabalho e segurança no trânsito poderiam ficar comprometidas, o que, na sua opinião, traria riscos e prejuízos para a população", recorda Castelo Branco.
O economista ressalta que as despesas da Presidência com campanhas publicitárias incluem a Casa Civil, da ministra e eventual pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff.
Recentemente foi ao ar uma propaganda que apresentava um balanço dos programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família, que junto com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), deve ser uma das principais vitrines da campanha de Dilma.
Para o cientista político Rui Tavares Maluf, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política (Fesp), o crescimento dos desembolsos de qualquer governo com publicidade revelam a linha tênue que separa a autopromoção de autoridades e o direito do cidadão em ter acesso às informações.
"É inegável a necessidade de se ter um espaço para divulgar suas ações até como uma forma de orientar a sociedade. Acontece que, ao mesmo tempo, a publicidade pode servir como um instrumento de cooptação. Isso foi pior nos primeiros anos após a redemocratização (1985)", observa Maluf.
Atualmente, avalia o cientista político, o eleitorado está muito mais atento ao que se passa nas esferas governamentais. "Por isso, raramente, vemos hoje a publicidade ter um efeito positivo se ela está descolada da realidade. De qualquer maneira, a vigilância se faz necessária", acrescenta.
A partir de julho deste ano, também estará proibida a propaganda institucional dos governos, uma vez o ano em curso é de eleições. As exceções ficam por conta de produtos e serviços que disputam mercado e aos casos de urgência pública reconhecidos e autorizados pela justiça eleitoral.
Os gastos da Presidência da República com publicidade vão ter um incremento de 16% neste ano. De acordo com a lei orçamentário aprovada pelo Congresso Nacional, as despesas com o setor vão passar de R$ 171 milhões para R$ 199,2 milhões.
O montante corresponde a quase um terço do orçamento publicitário de todos os órgãos públicos federais (R$ 700,4 milhões). No entanto, a previsão de aumento dos gastos esbarra na lei eleitoral, que determina que, em ano de eleições, as despesas com publicidade não podem ultrapassar a média dos três anos anteriores ou o valor utilizado no ano imediatamente anterior.
Segundo a ONG Contas Abertas, responsável pelo levantamento junto da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), a previsão de gastos não inclui a publicidade das estatais e sociedades de economia mista, como a Petrobras e o Banco do Brasil (BB).
A diferença entre 2009 e 2010 está nos desembolsos com a publicidade institucional, que se limita a divulgar informações sobre obras, atos, programas, metas e resultados da União. O valor previsto no ano passado era de R$ 139 milhões, enquanto neste ano está em R$ 167 milhões.
Já a publicidade de utilidade pública, que dá legitimidade aos comunicados oficiais do governo, terá, em 2010, R$ 32,2 milhões. Neste caso, não há elevação significativa, já que o volume orçado no ano de 2009 foi de R$ 32 milhões. Isto é, uma diferença de apenas R$ 200 mil entre um ano e outro.
Visando respeitar os limites impostos pela justiça eleitoral, a Secom informou que o governo não irá utilizar todos os recursos previstos no orçamento. Em 2009, contudo, o governo ultrapassou a meta inicial e gastou R$ 158,1 milhões com publicidade institucional, 14% a mais do que previa a lei orçamentária.
A expansão, segundo a secretaria, se deve à realização de pesquisas de opinião e também aos investimentos feitos em ações no exterior. Economista da Contas Abertas, Gil Castelo Branco lembra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o trecho da proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que previa que a despesa empenhada em publicidade não poderia exceder os valores de 2009.
"Para justificar o veto, Lula alegou que campanhas de utilidade pública em setores como educação, trabalho e segurança no trânsito poderiam ficar comprometidas, o que, na sua opinião, traria riscos e prejuízos para a população", recorda Castelo Branco.
O economista ressalta que as despesas da Presidência com campanhas publicitárias incluem a Casa Civil, da ministra e eventual pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff.
Recentemente foi ao ar uma propaganda que apresentava um balanço dos programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família, que junto com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), deve ser uma das principais vitrines da campanha de Dilma.
Para o cientista político Rui Tavares Maluf, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política (Fesp), o crescimento dos desembolsos de qualquer governo com publicidade revelam a linha tênue que separa a autopromoção de autoridades e o direito do cidadão em ter acesso às informações.
"É inegável a necessidade de se ter um espaço para divulgar suas ações até como uma forma de orientar a sociedade. Acontece que, ao mesmo tempo, a publicidade pode servir como um instrumento de cooptação. Isso foi pior nos primeiros anos após a redemocratização (1985)", observa Maluf.
Atualmente, avalia o cientista político, o eleitorado está muito mais atento ao que se passa nas esferas governamentais. "Por isso, raramente, vemos hoje a publicidade ter um efeito positivo se ela está descolada da realidade. De qualquer maneira, a vigilância se faz necessária", acrescenta.
A partir de julho deste ano, também estará proibida a propaganda institucional dos governos, uma vez o ano em curso é de eleições. As exceções ficam por conta de produtos e serviços que disputam mercado e aos casos de urgência pública reconhecidos e autorizados pela justiça eleitoral.
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